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A adolescência é um período de transição da infância perdida para a maturidade não atingida e vai dos 10 até os 19 anos (Organização Mundial da Saúde). É uma transição de um lugar na família para um lugar no mundo exterior. Apegados ao que lhes é familiar e sob o fascínio do que ainda não experimentaram, os jovens sentem-se, neste período, mais vulneráveis, confusos, zangados, melancólicos, ansiosos e sozinhos, contrastando com outros momentos de grande excitação e onipotência.
Fisicamente o crescimento acontece mais rápido do que em qualquer outra fase. As mudanças no corpo e o desabrochar da sexualidade ocorrem independente de sua vontade, o que pode ser muito angustiante em um momento em que a preocupação central do adolescente é a sua identidade: “Quem sou eu?”.
Outra característica marcante da adolescência é a forte tendência em agrupar-se. No grupo de pares os adolescentes sentem-se menos expostos às criticas dos pais, discriminam-se, assim, dos adultos, confiando mais nos valores dos seus amigos. No grupo reasseguram a auto-estima através da imagem que os outros lhe remetem.
Na busca de uma identidade própria, o jovem quer ao mesmo tempo ser aceito pelo grupo e afirmar-se frente aos pais e educadores que estão sobrecarregados de suas próprias esperanças, expectativas e frustrações em relação ao jovem.
É neste período de grande turbulência que o adolescente, através de uma liberdade desejada e temida, se vê tendo que fazer escolhas quanto a sua sexualidade, paixões, carreiras, amigos e até em relação às drogas.
O medo da solidão, de não ser social, física e sexualmente adequado, de ser excluído do grupo e o desejo de livrar-se da inibição e provocar uma sensação artificial de bem estar, podem levar o jovem a apoiar-se em subterfúgios como as bebidas alcoólicas e outras drogas, ou então, ao consumo indiscriminado, em uma fase em que desafiar as regras sociais, ficar bêbado, “muito louco” ou possuir determinados bens materiais é “legal”, aceito e valorizado pelo grupo.
Esses subterfúgios podem ser soluções rápidas para evitar a dor, os conflitos, os problemas árduos e os aspectos desagradáveis e imperfeitos da vida, através da fantasia de ter um controle maior sobre o mundo.
É importante que o jovem encontre na figura dos pais e educadores, mediadores capazes de auxiliá-lo na organização de seus recursos internos para que possa lidar de forma mais criativa e potente com seus conflitos.
Autores: Luciana Cerdeira, Julio Rubinstein e Mônica Valente |
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