MACONHA: LEGALIZAR OU NÃO LEGALIZAR? EIS A QUESTÃO.
Início de ano, início de aulas, as coisas voltando a sua rotina normal (se é que podemos voltar a rotina normal com tanta catástrofe acontecendo aqui e no mundo lá fora), porém, ainda vem carnaval... Carnaval? Sim! Com seus desfiles, festas, fantasias, o extravasar, o beber, o “sair de si”. Cenário que logo nos remete a pensar como os adolescentes poderiam, com toda sua onipotência e dificuldade de antever futuro e riscos, testando limites, curtir tudo isto de uma maneira saudável. Grande desafio!
Lembramos, então, de um trabalho realizado com um grupo de jovens do terceiro ano do ensino médio que solicitou um debate sobre o tema da legalização da maconha. Tema que muitas vezes é respondido de maneira simplista pelos jovens que dizem a voz solta: Qual é o problema? É natural! Todo mundo usa! Não faz mal! É menos prejudicial que o cigarro!Tem que legalizar
Frente a este cenário, procuramos trabalhar o tema de maneira que levasse o grupo a refletir em relação às várias questões que envolvem a legalização da maconha e não apenas encerrar a questão entre legalizar ou não, mas sim ampliá-la na profundidade que um tema como este demanda, tendo sempre em mente uma frase que diz muito e merece uma reflexão:
Liberdade é poder decidir!*
Divididos em dois grupos, um deles deveria argumentar para defender a legalização e o outro a não legalização. Não precisamos dizer que tínhamos excedentes no grupo disposto a defender a legalização da maconha. O interessante foi que, no transcorrer do trabalho, o grupo que defendia a legalização, chegou a questionar se de fato a maconha deveria ser legalizada, isto em vista das inúmeras questões que foram envolvendo o tema, concluindo que, sem dúvida, é um tema que merece ser ampliado, e que não pode ser respondido de maneira simplista.
Bingo
O que buscamos com este trabalho foi levar os jovens a ampliar o seu olhar em relação aos assuntos polêmicos e delicados do cotidiano, que envolvem sempre inúmeras questões a serem consideradas, como no caso da legalização da maconha no Brasil
O consumo aumentaria?
Como isso afetaria a sociedade?
Quais as conseqüências para o indivíduo?
O crime organizado e o tráfico perderiam força?
É possível legalizar uma droga e outra não?
É possível legalizar em um país e nos outros não?
Drogar-se é um direito individual ou uma questão coletiva?
Seria possível restringir o uso da maconha para fins medicinais?
Um importante exercício a ser praticado.
É essencial lembrar que nunca temos apenas um caminho a seguir e ter em mente que os adolescentes são totalmente avessos a diretrizes que lhes digam por onde devem ir, pois eles querem e precisam andar com as próprias pernas. Podemos, porém, alertá-los de que a liberdade deles está em que possam decidir que caminho trilhar, lembrando-os que “o uso da liberdade exige o conhecimento de vários fatores”*, o que lhes permitirá fazer a escolha que lhes parecer mais adequada.
E para finalizar, a questão não se encerra na escolha certa ou errada, mas se esta foi feita conscientizando-se dos fatores que a envolvem e das suas possíveis conseqüências.
Por mais paradoxal que pareça, não ha liberdade sem limites.
Monica L. F. Valente
Psicóloga
monica@percepto.com.br
* “Liberdade é pode decidir: uso de drogas” – Maria de Lurdes Zemel e Maria Eliza de Lamboy
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