A TÊNUE LINHA ENTRE

O BEBER SOCIALMENTE E O ABUSO DO ÁLCOOL

         O consumo de álcool pelo ser humano é um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o uso de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 a.C.
          Frente a este cenário de longos anos, nos perguntamos: O que leva alguém a beber? A descontração após um dia longo de trabalho? A possibilidade de relaxar quando se está em grupo e não se sente a vontade? Afastar os problemas? Lidar com a timidez? Ou apenas a possibilidade de compartilhar um bom momento com os amigos?
          Inúmeras são as situações que são convidativas para um copo gelado de chopp, uma bela taça de vinho, quem sabe uma dose de whisky ou vodka ou, até mesmo uma caipirinha. A questão é a relação que está sendo estabelecida com a bebida.
         “Na idade média, os destilados passaram a ser considerados um remédio pois dissipavam as preocupações mais rapidamente que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alívio mais eficiente da dor.” O álcool, portanto, desde longas datas, vem sendo associado ao fato de deixar as pessoas “relaxadas e alegres”, o que motiva o seu consumo. Porém, isto acontece apenas em um primeiro momento.
         “No primeiro ou no segundo copo de bebida, o álcool é uma droga que nos faz sentir cheios de energia, com sensação de poder e alegria. No entanto, conforme o tempo passa, o álcool provoca a exaustão e o sono. Quanto mais alta a concentração de álcool no sangue (alcoolemia), mais a bebida atua como depressora e não como estimulante.”
         O importante é a reflexão da relação que está sendo estabelecida com o álcool. Poder pausar para olhar internamente e ver a serviço do que a bebida está, se é para a descontração e diversão saudáveis (aqui a linha é tênue) ou para amenizar os desconfortos que a rotina do dia-a-dia nos traz, junto com os dissabores da vida.
       “Bebedores sociais que eventualmente tenham se excedido em uma festa ou num final de semana não se enquadram na definição de alcoolista, mas se isto tornar-se freqüente pode indicar uma tendência ao alcoolismo.
         Quando a bebida passa a ter demasiada importância na vida da pessoa e esta não consegue mais controlar o ato de beber, desenvolvendo tolerância a quantidades cada vez maiores de bebida alcoólica, estamos diante dos sintomas iniciais da doença.” (*)

         A linha que separa o bebedor social do alcoolista é muito tênue.
Para avaliar os hábitos com relação ao álcool, podem ser respondidas as perguntas(**) abaixo:

  • Você costuma beber sozinho, em um bar ou em casa? Sim  Não
  • Em festas, quando seu copo está vazio, você sempre procura servir-se de mais bebida? Sim  Não
  • Às vezes você não se lembra de coisas que aconteceram quando estava bebendo? Sim  Não
  • Você discute em casa, depois de beber? Sim  Não
  • Você sente desconforto se passa um dia inteiro sem beber? Sim  Não
  • Você já faltou ao trabalho ou perdeu algum compromisso por ter bebido demais? Sim  Não
  • Você continua a beber depois que seus amigos pararam? Sim  Não
  • Você costuma beber para relaxar ou se descontrair, no final do dia? Sim  Não
  • Você já sentiu tremores ou, então, quis beber alguma coisa logo pela manhã? Sim  Não

         Quanto maior o número de respostas afirmativas para as perguntas acima formuladas, maior a probabilidade de estar ocorrendo um abuso de álcool ou ser indício de uma dependência. Neste caso, seria importante buscar uma ajuda profissional.

         O que propomos com este texto é pausar para uma reflexão, porém, não apenas em relação ao uso de álcool mas, também, na maneira como a vida está sendo vivida!

Mônica L. F. Valente

Psicóloga, psicanalista e terapeuta familiar

(*) Teste extraído do Guia da Vida Saudável, de autoria dos Drs. Stephen Carrol e Tony Smith e revisado pela Escola Paulista de Medicina.

(**) Fonte: “Álcool” – CRER-VIP Centro de Recuperação e Reeducação das Vítimas do Álcool e das Drogas


         

     
  Se você quiser enviar uma pergunta ou comentário, FALE CONOSCO !